NÃO INVENTE DADOS, NEM ALTERE NÚMEROS DE SUA EMPRESA

Durante esses anos trabalhando com assessoria de imprensa, já vi muito empreendedor passar dados que não condizem com a realidade da sua startup. Minha opinião? Não faça! Isso porque o jornalista investiga e apura todas as informações, lê bastante e qualquer divergência entre os dados pode causar um mal-estar para você e também para sua empresa.

Uma dúvida muito comum: mas não abrimos faturamento e também não mencionamos nosso crescimento, como podemos prosseguir? Sabemos que muitas empresas não conseguem divulgar essas informações, mas quando falamos com veículos de negócios, onde esses dados são importantes, temos que encontrar alternativas para não perder a oportunidade. Abordar uma porcentagem ou algo aproximado pode ser a saída.

Já tivemos situações em que o empreendedor deu uma entrevista para o Valor Econômico e mencionou o crescimento da empresa. Semanas depois, o mesmo jornalista conversou com ele novamente para tirar uma dúvida sobre um ponto da entrevista e o dado já não era mais o mesmo, o que causou um estranhamento e questionamento por parte do jornalista.

Quando o assunto é relacionado a dados, procuramos sempre manter a mesma linha de raciocínio e nunca, em hipótese alguma, superfaturar um número ou valor. Se os números que você tem a apresentar são baixos ou irrelevantes, alinhe com sua assessoria de imprensa a melhor saída para quando o jornalista te questionar. E lembre-se: quando sua equipe de PR conseguir uma oportunidade em grandes veículos de negócios, apresentar um número que mostre o quanto sua empresa está consolidada no mercado é importante.

*Por Juliana Gusmão

JORNALISMO E DADOS – UM CASO DE AMOR

Com toda certeza do mundo você já ouviu seu assessor pedindo dados – números de mercado, faturamento, porcentagem de crescimento, entre outros. Entenda, isso é muito importante para conseguirmos cavar boas oportunidades nos grandes veículos.

Foi-se o tempo em que uma Folha de S. Paulo escrevia uma matéria somente sobre uma startup. Se você parar para analisar, as abordagens de agora são sobre um mercado de atuação, com números e com players que ilustram determinado segmento.

O Valor Econômico, por exemplo, não tem esse nome à toa. Para sair lá é necessário apresentarmos números relevantes. Sem isso, temos mais dificuldades de conseguir um espaço relevante, se comparado com as empresas que abrem seus dados. Pode parecer implicância da nossa parte, mas divulgar um aporte sem falar sobre o valor não faz muito sentido, concorda?

Entendo que há muitas burocracias, contratos que envolvem algumas cláusulas de silêncio sobre os valores, mas se você quer sair em veículos como Exame, Valor, Estadão, Folha de S. Paulo e IstoÉ Dinheiro, algum número você terá que abrir. São critérios editoriais de cada veículo, e isso não conseguimos alterar. Lógico que podemos tentar outras formas. Se por exemplo, não se pode abrir o faturamento exato, podemos mencionar que a empresa cresceu 100% no período X; ou que a startup tem a expectativa de aumentar seu faturamento em 80% até o final do ano.

Enfim, há formas e formas de passarmos os valores. O que não se pode é ignorar e não mencionar nenhum dado relevante. Já tivemos casos aqui na agência de uma empresa perder uma grande oportunidade na Exame.com por não abrir o faturamento, nem mesmo uma porcentagem aproximada.

Outro ponto importante são os dados de mercado, esses sim enriquecem uma pauta sobre determinado setor. Costumamos usar para mostrar o crescimento de uma área de atuação e colocar o cliente como fonte para falar sobre o assunto. Isso tem funcionado bastante.

Por fim, vale o recado: números são importantes para a maioria dos grandes veículos, principalmente os que falam sobre negócios. Se você tem a expectativa de sair em alguns deles, vale repensar sua estratégia e tentar, pelo menos, abrir alguns dados. Pense nisso!

*Por Juliana Gusmão