Enchentes no Rio Grande do Sul: Como manter a saúde mental em meio a situação de vulnerabilidade 

Segundo a Defesa Civil, já são mais de 1,4 milhão de pessoas afetadas pelas fortes chuvas no Sul do país e uma das principais preocupações, além das questões básicas como alimentação, higiene e condições mínimas de sobrevivência está relacionado a saúde mental dessas vítimas, pois elas estão passando por um momento traumático e as consequências disso pode acarretar em outros problemas de saúde irreversíveis. 

“Após o sofrimento pela incerteza da sobrevivência, muitos ali, se deparam com o luto por amigos e familiares e em muitos casos esse sentimento se transforma em culpa ou frustração por ter sobrevivido e mais do que isso, por não ter conseguido salvar seus entes queridos ou animais. Infelizmente, isso é muito comum de acontecer e essas pessoas precisam de um apoio psicológico e ajuda de profissionais para minimizar essa dor e trauma”, afirma Débora D’Avila, psiquiatra e membro da Doctoralia, maior plataforma de agendamento de consultas do mundo. 

Além disso, a  especialista aponta que a quebra da rotina causa um transtorno muito grande, pois as escolas e as empresas foram atingidas pelas enchentes e não há uma previsão de quando a vida voltará ao normal e eles terão que se adaptar a essa nova realidade. 

“Depois de ter passado pelo  risco de morte, quando a situação vai se acalmando e a pessoa se depara com o estrago que aconteceu na casa e na cidade, vem outra avalanche de tristeza. Neste momento, eles começam a pensar em outros medos, como riscos de contrair doenças e questões financeiras, por exemplo”, completa. 

D’Avila afirma que esse processo de “cura” demora e para algumas pessoas o impacto emocional pode perdurar para sempre. Tudo vai depender do  que cada um vivenciou, as perdas que tiveram e o momento de vida de cada um deles quando tudo isso começou.  

“Infelizmente, nós como profissionais, entendemos que haverá um grande aumento de incidência tanto de quadros depressivos, quanto dos transtornos de ansiedade de uma maneira geral.  Então do ponto de vista emocional, o prejuízo será gigantesco. Portanto, explore diferentes formas de expressar suas emoções. Embora seja natural se afastar dos outros durante esse período delicado, manter conexões sociais pode ser fundamental para o processo de cura. Procure separar um  tempo para ficar com  amigos e familiares que oferecem apoio e compreensão. Não tenha medo de estabelecer limites com pessoas ou situações que possam ser desencadeadoras ou prejudiciais para sua saúde mental, priorize seu bem-estar e a si mesmo”, finaliza. 

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